Laudato Si’, vicariato do Brasil: esperança, cuidado e compromisso com a Casa Comum
Laudato Si’: quando o cuidado com a Casa Comum se transforma em prática e esperança

A encíclica Laudato Si' permanece como um dos maiores chamados contemporâneos ao cuidado com a vida, com os territórios e com a Casa Comum. Mais do que um documento, ela ecoa como um verdadeiro grito de amor pela Criação, convidando toda a humanidade a redescobrir a beleza da interdependência entre os seres humanos, a natureza e Deus. Seu legado fortaleceu uma consciência ancestral já presente nos modos de vida dos povos originários.
O legado do Papa Francisco ajudou a ampliar essa reflexão e reafirmou a urgência de uma conversão ecológica e humana diante das múltiplas crises sociais e ambientais do nosso tempo. A encíclica trouxe visibilidade e fortalecimento para práticas comunitárias que, há décadas, resistem ao avanço da destruição ambiental, da desigualdade e da lógica do descarte, reafirmando que cuidar da terra é também cuidar da dignidade humana.
Nós, irmãs da Congregação de Nossa Senhora - Cônegas de Santo Agostinho, no Vicariato do Brasil, buscamos viver concretamente os apelos da Laudato Si’. Algumas irmãs atuam junto à Comissão Pastoral da Terra - CPT, acompanhando comunidades rurais, agricultores familiares, assentados da Reforma Agrária e comunidades quilombolas, por meio da proteção de nascentes, dos quintais agroecológicos, das hortas e lavouras comunitárias, dos encontros com mulheres e juventudes e das ações permanentes de defesa do Cerrado. São práticas que articulam soberania alimentar, preservação ambiental, organização popular e valorização dos saberes tradicionais.
Também estamos presentes na Missão Laudato Si’ da Arquidiocese de Goiânia, que realiza, em parceria com a CPT, ações de recuperação e proteção de nascentes. Como continuidade desse trabalho, será realizado o Curso de Extensão Laudato Si’ e Justiça Socioambiental, inspirado na encíclica Laudato Si’, para agentes de pastoral, professores, estudantes, lideranças comunitárias e todas as pessoas interessadas no cuidado da Casa Comum e na construção da justiça socioambiental.
Nossa presença na JPIC – Justiça, Paz e Integridade da Criação - fortalece o compromisso com a justiça, a paz e a integridade da criação. Falar de justiça é reconhecer a dignidade e os direitos de cada pessoa; viver a paz é cultivar reconciliação e fraternidade; preservar a criação é cuidar da Casa Comum como dom de Deus para toda a humanidade.
Na REPAM – Rede Eclesial Panamazônica colaboramos na defesa da vida, dos direitos humanos e do meio ambiente na Amazônia Legal, apoiando o protagonismo dos povos amazônicos na proteção dos territórios e no cuidado da floresta.
Temos também uma irmã doutora em Agronomia, que atua no Programa Mais Gestão, fortalecendo a inovação e o desenvolvimento da agricultura familiar, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. Sua presença no NUSEC – Núcleo de Economia Socioambiental da Universidade Federal da Amazônia – UFAM, reafirma a importância do associativismo e do cooperativismo como caminhos para fortalecer a organização comunitária, ampliar oportunidades e consolidar redes locais de produção e comercialização.
Tem irmã que transforma óleo usado das frituras em sabão e detergente, uma excelente prática de sustentabilidade, que evita o descarte incorreto do resíduo, poupa milhões de litros de água da contaminação, reduz o envio de gases de efeito estufa para a atmosfera e economiza dinheiro na compra de produtos de limpeza.
Entre nós têm àquelas que pintam, contemplam a natureza, que cuidam das flores do jardim, cuidam das galinhas com zelo, e àquelas que fazem assessoria de justiça socioambiental, defesa dos pobres e espiritualidade ecológica.
Em várias comunidades, as irmãs cultivam hortas, produzindo verduras e legumes sem agrotóxicos, promovendo uma alimentação mais saudável integrada à natureza.
Em nossas escolas de Educação Infantil, as crianças cultivam uma relação viva e sensível com a natureza, por meio de hortas, jardins produtivos, criatórios de peixes, e espaços de convivência com a natureza, possibilitando às crianças experiências concretas de cuidado, cultivo e sustentabilidade.
Nos colégios da Congregação, a educação ambiental se transforma em experiência concreta de cuidado, contemplação e responsabilidade com a criação. As crianças e adolescentes aprendem sobre os ciclos da vida, os biomas brasileiros, a preservação da água e da biodiversidade; os estudantes do Ensino Médio aprofundam seus conhecimentos no Itinerário Formativo de Sustentabilidade e Ecologia Integral, desenvolvendo pesquisas e estudos de campo.
Um de nossos colégios possui o Selo Escola Azul, reafirmando o compromisso com a educação ambiental e a preservação dos oceanos, promovendo vivências que despertam consciência ecológica e respeito pela biodiversidade. Assim, seguimos semeando esperança e compromisso com a vida, inspiradas pelas palavras da Laudato Si’: “Caminhemos cantando; que as nossas lutas e a nossa preocupação por este planeta não nos tirem a alegria da esperança” (LS 244).
Ir. Cidinha, Goiânia


